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Aiai: um dedão de seis milhões de anos!


- Ô! Sô! Senta aqui para um dedinho de prosa!

Eu disse "dedinho"?! Vamos combinar: esse dedão dos Aiai é desconcertante. Fico imaginando o tempo que levou para a mãe Natureza adaptar esta ferramenta de "busca e apreensão" de alimentos para o coitado Aiai. Eu o ensinaria a fazer BUUUUU!!! e matar as presas de susto... Mais rápido e efetivo! Deixando o pobre Aiai com seu dedão e sua feiura de lado, quero mesmo é prosear sobre o tempo, a evolução das espécies e o bicho homem: o mais feio de todos. 

Externamente, parece que a mãe natureza já deu por encerrado o serviço. Não há, pelo menos desconheço, nenhuma grande diferença entre nós.

Entretanto, contudo, todavia, o que dizer do "ambiente interno superior"? Este que nos separa das "bestas", das "feras", do "animal"... Literal e formalmente, norma culta em ação, com cuidado para não escorregar no coloquial, na gíria e dizer que esse "papo" tá ficando "animal" e vai deixar todo mundo "besta" porque o autor é "fera".

- Quiçá, quem dera... Deus me livre!!!

Vivo ensimesmado com dúvidas sobra nossa, minha natureza. Voltando ao "ambiente interno superior" que alguns aurtores chamam de "cuca"... Huuuuuum! Delícia! Tá na hora de um cafezinho para molhar a garganta e uma boa fatia de Cuca de Banana...

- Foco, "Fera"!!!

Se eu der asas à minha fértil imaginação, sairemos daqui com alguma evolução; quem sabe o nosso cóccix transforme-se, novamente, num belo "rabo" para abanar as moscas, por passarmos tanto tempo sentados... Sentados: esse é o ponto de retorno ao "ambiente interno superior". Os homens... no sentido genérico, mamífero da ordem dos primatas, único representante vivente do gênero Homo... Sapiens, claro, caracterizado pelo volumoso "ambiente interno superior", posição ereta, mãos preênseis, polegar funcional, inteligência dotada da faculdade de abstração e generalização, e capacidade para produzir linguagem articulada... Fazem de tudo para ficarem sentados; confortavelmente sentados! Ócio criativo, preguiça ou sedentarismo, seja lá o que for. Muito mais agora com os adventos da internet, dos dispositivos móveis e das Redes Sociais. 

De uma forma ou de outra estamos "exercitando" a massa cinzenta que compõe o "ambiente interno superior" que de ora em diante chamaremos, naturalmente, de cérebro: nosso "pedaço" ao que parece, ainda, em evolução. Ou como diz o Filósofo Mário Sérgio Cortella, com suas afirmações filosóficas e dúvida metódica: "Será?!"

Será mesmo que somos a versão final de um arranjo de carbono? Será mesmo que o termo "humanidade", no sentido de sentimento de bondade, benevolência, em relação aos semelhantes, ou de compaixão, piedade, em relação aos desfavorecidos, é o nosso reflexo? Será que o nosso polegar é o dedão de iaiá e de ioiô? Será só imaginação? Ou será que é o contrário? Será? Será? Neste momento ecoam em meu cérebro as palavras gloriosas que me arrancam das minhas elucubrações filosóficas matinais...

- Toca Raul!!!

"Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante"... Um arranjo de carbono, ainda, em plena R-Evolução, do que ser mais um reflexo de algum estereótipo compulsoriamente eleito como ideal; eu prefiro ser, neste momento, apenas, o ioiô de iaiá, sentado na varanda em frente ao roçado, vendo as "estúpidas" galinhas bicando o chão à procura de salvação para a panela...

- Ai! Ai! “Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são”...

[Sousa, Vital. Apensar dos Pensares 2. No Prelo]

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